Dança Sénior

ir para conteudo
PT EN FR DE

17.ª edição do Mercado Quinhentista

08-05-2024
MAG
Partilhe este conteúdo

 “Machiquo: Chão de Fogo”

O Mercado Quinhentista acontece nos dias 7, 8 e 9 de junho de 2024, sob a temática "Machiquo: Chão de Fogo".

Para além da origem vulcânica, o fogo ocupa um lugar central na história da própria Ilha que, segundo alguns relatos, teria estado sete anos a arder. São estórias que se contam e que romantizam a dureza dos (re)começos, onde o fogo marca presença, enquanto elemento da Natureza e fator intrínseco à dinâmica da vida humana.

O fogo é fonte de calor, que aquece e reúne, é chama que permite cozinhar, aperfeiçoar técnicas de fabrico e táticas de guerra. É luz que suaviza a escuridão, permite ir mais além, desmistifica crenças e amplia o Saber. Mas o fogo é, também, energia natural capaz de suscitar medos e de alimentar o intangível. E assim se forjaram povoados e tradições que colocaram Machico e a Madeira nas rotas do Mundo.  

O Mercado Quinhentista é um projeto sociocultural, de cariz pedagógico, que nasceu em 2006, organizado pela Escola Básica e Secundária de Machico. O objetivo é a recriação histórica da cidade de Machico nos primeiros 500 anos da sua existência. O centro da cidade transforma-se numa autêntica era medieval, onde acontecem atuações de palco, artes circenses, lutas medievais, entre outros. Os comes e bebes da época são vendidos pelas barracas decoradas a preceito onde todos estão vestidos a rigor, segundo a época passada.

Este é deveras um evento único na ilha da Madeira que vale a pena visitar, onde é possível reviver os antepassados da época dos descobrimentos.

"Machiquo: chão de fogo"

Ainda que de uma forma mais subtil, o Fogo continua a fazer parte do nosso quotidiano. Fogueiras, forjas, candeias, lares acesos são memórias vivas em muitos de nós.

Elemento da Natureza e fator intrínseco à existência humana, o fogo ocupa um lugar central na história da Madeira e, em particular, de Machico, que inicia a sua narrativa histórica com a lenda do fogo da paixão dos jovens ingleses Robert Machim e Ana D`Arfet.

Para além da sua origem vulcânica, o fogo está ligado aos primórdios da humanização da Ilha que, de acordo com os relatos de alguns autores, teria estado sete anos a arder, a fim de preparar o território, densamente arborizado, para o árduo processo de povoamento de um espaço que nada tinha e onde tudo teve de ser levantado do chão. São histórias que se contam e romantizam a aspereza dos (re)começos, impulsionados pela audácia do Homem na colocação e superação de desafios, como se a vida, por si só, não se encarregasse de, por vezes, nos tirar o chão.

Se recuarmos ao período Paleolítico, observamos a astúcia com que se “descobriu” o fogo, transformado em fonte de calor, capaz cozinhar, aquecer e de reunir à volta da fogueira, promovendo a socialização e, por conseguinte, a comunicação. Agregador, o fogo criou a ideia de tempo coletivo e fomentou a partilha de aprendizagens, o aperfeiçoamento de utensílios, de técnicas e de ofícios, bem como a definição de estratégias de defesa que, aliás, validam a criação de topónimos como Pico do Facho.

Com mais técnica e melhor domínio, o valor do fogo permaneceu inestimável ao longo de séculos. Assim se explica o afinco em não deixar apagar a centelha, a chama olímpica (outrora em honra de Hera, mulher de Zeus) ou mesmo a lamparina que se acende por devoção. Até ao advento da eletricidade, o fogo permitiu acometer a escuridão para ir ao encontro da verdade e, deste modo, desmistificar o desconhecido, que tantos receios alimenta. No entanto, o fogo é também força da natureza, capaz de assumir proporções imensuráveis e de nos reduzir, perante a fúria de labaredas que tudo consomem, a meros espetadores impotentes. A imagem é a de um verdadeiro inferno a arder, numa clara alusão ao juízo final, momento em que as más condutas na vida terrena são punidas com cruéis castigos.

Nesse sentido, o fogo é luz divina, que guia, protege e alimenta, com maior ou menor expressão, a dimensão espiritual inerente ao ser humano e explica a persistência de celebrações onde as trevas são dissipadas pela sua luz. É assim com o fogo de artifício que assinada o início de um novo ano, que se espera próspero, e que tem feito da Madeira o Maior Espetáculo Pirotécnico do Mundo ou, numa dimensão mais local, com a realização de cultos religiosos em que o fogo ocupa um lugar predominante, como as festas em honra do Senhor dos Milagres, com a peculiar procissão de pescadores com archotes, e em honra do Santíssimo Sacramento, com a realização dos fachos nas encostas do vale de Machico, duas festividades que individualizam esta terra primeira a nível regional.

Machiquo: chão de fogo será, pois, o ponto de partida para mais uma viagem pelas vivências coletivas da primeira Capitania do Reino, agendada para os dias 7, 8 e 9 de junho próximo.

Galeria

17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista
17.ª edição do Mercado Quinhentista