Engenhos do Norte
Os Engenhos do Norte, localizados na freguesia do Porto da Cruz, na Ilha da Madeira, são um dos mais importantes testemunhos vivos da tradição açucareira madeirense.
Construídos em 1927 e ainda em plena atividade, mantêm a produção de aguardente de cana-de-açúcar (rum) segundo métodos tradicionais, recorrendo a maquinaria que remonta ao século XIX.
A sua relevância histórica remete, contudo, ao século XVI, período em que a Madeira se destacou como uma das principais produtoras mundiais de açúcar, então conhecido como “ouro branco”. Hoje, este espaço funciona também como um núcleo museológico, proporcionando aos visitantes uma autêntica viagem no tempo e um contacto direto com técnicas e equipamentos da Revolução Industrial.
Como o Rum é produzido:
- Colheita da cana-de-açúcar: a cana é cortada manualmente, normalmente entre março e maio, no auge da campanha.
- Moagem: a cana é levada para os engenhos, onde é prensada em moinhos para extrair o seu sumo fresco, conhecido como garapa.
- Fermentação: o sumo é colocado em cubas de fermentação, onde leveduras naturais ou selecionadas transformam os açúcares em álcool. Este processo pode durar entre 24 a 72 horas.
- Destilação: o líquido fermentado é destilado, tradicionalmente em alambiques de cobre ou colunas contínuas. Aqui separa-se o álcool, originando a aguardente de cana — o rum.
- Envelhecimento (opcional): Parte do rum é engarrafado jovem (branco), enquanto outra parte é envelhecida em barris de madeira, adquirindo cor, aroma e maior complexidade.
- Engarrafamento: após controlo de qualidade, o rum é engarrafado e preparado para consumo.
Durante a época de produção, entre março e maio, é possível acompanhar todo o processo de transformação da cana-de-açúcar. Ao longo do restante ano, a visita permite explorar as instalações com maior proximidade e compreender o seu funcionamento através de recursos interativos.
A experiência pode ainda ser complementada com a degustação de aguardentes na “Casa do Rum”, espaço adjacente aos engenhos.