“Cartas de Fora”
Cinema com assinatura madeirense
A longa-metragem intitulada “Cartas de Fora” é da autoria do cineasta madeirense Luís Miguel Jardim, de que é simultaneamente realizador, produtor e argumentista.
A ficção acontece em meados do século XX, concentrando-se em retratar a essência do povo madeirense. A história honra os rocheiros, uma profissão quase exclusivamente madeirense, agregada ao trabalho árduo dedicado à profissão que deixava a desejar pelas suas condições difíceis da época.
Eram eles os responsáveis por abrir os canais de circulação da água para a transportar do norte para o sul da ilha, suspensos por cordas e a usar picaretas. Por isso, desempenharam um papel fundamental na construção das levadas da Madeira.
Para além disso, a longa-metragem de uma hora e 20 minutos aborda o assunto da emigração e a tradição das vindimas, refletindo sobre a relação dos senhorios com os colonos.
“Cartas de Fora” reuniu cerca de 235 pessoas, incluindo atores e figurantes. Como ator principal, e também responsável pela banda sonora, destaca-se João Augusto Abreu. Já como autores secundários figuram as crianças Madalena Soares e André Batista, assim como Ana Paula Trindade e Beatriz Melim. Entre os figurantes, destacam-se pessoas importantes na sociedade madeirense: o ex-presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim, no papel de rocheiro doente por conta das implicações da profissão e o representante da República Irineu Barreto, como médico.
Mais nomes conhecidos da região participaram, entre eles: Humberto Vasconcelos, secretário regional da Agricultura e Pescas, que faz se leiteiro; a antiga deputada do BE e sindicalista Guida Vieira, como bordadeira; o antigo secretário regional da Educação Carlos Lélis, no papel de senhorio e homem culto que lê "as cartas que vêm de fora"; o ex-diretor das Florestas Rocha da Silva; e o ex-secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, que interpreta um moleiro.