Casa da cultura de Santa Cruz | Quinta do Revoredo celebra 30 anos
A casa da cultura de Santa Cruz | Quinta do Revoredo, comemora, no próximo dia 6 de Dezembro, os seus trinta anos, esta que foi a primeira Casa da Cultura da região da Madeira.
Para esta comemoração está previsto a inauguração, pelas 18 horas, de duas exposições. Uma de escultura, na Sala Blandy, intitulada de "Movimento Interrompido", de autoria de João Gonçalves que é professor da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, sendo esta a sua primeira exposição apresentada na região. E uma outra exposição, no piso superior, a Sala Dragoeiro, que constitui uma seleção das obras depositadas em acervo, do espólio da Casa, que se intitula "Da pintura que se viu."
Pelas 19 horas haverá um concerto comemorativo pelo Quarteto de Cordas "Atlântico" da Orquestra Clássica da Madeira que interpretará obras de Mozart, Philip Glass e Astor Piazzola, com a direcção artística do violinista Norberto Gomes que, curiosamente, há precisamente 30 anos, foi o Diretor Artístico e Concertino da Orquestra Clássica da Madeira, um dos músicos que realizou o concerto inaugural da Casa da Cultura de Santa Cruz.
Breve História
A Quinta foi em boa hora adquirida pela edilidade à família Blandy, em 1988, e depois de sofrer uma profunda obra de reabilitação e adaptação às novas funções, abriu portas a 6 de dezembro de 1993.
Este belo edifício debruçado sobre o mar, construído entre o antigo Caminho Real e o oceano, foi mandado levantar por John Blandy em 1840, tendo este sido o primeiro elemento daquela família inglesa a se radicar na Madeira como comerciante de Vinho Madeira.
A família residia na magnífica Quinta de Santa Luzia, no Funchal, ainda hoje sua propriedade, e esta casa, em Santa Cruz, foi construída para habitação de veraneio.
Para a construção deste imóvel, John Blandy adquiriu à Fazenda Pública os terrenos que outrora pertenceram à cerca do velho Convento Franciscano de Nossa Senhora da Piedade, fundado no séc. XV, e extinto em 1834. De resto como aconteceu com todos os outros conventos e mosteiros.
Hoje, dos vastos terrenos da Quinta, que outrora englobava campos de cultivo de vinha, está reduzida ao imóvel e ao seu amplo jardim.
Depois de quase trinta anos, o sóbrio imóvel foi recentemente restaurado pela Câmara Municipal, numa reabilitação criteriosa que respeitou as suas pré-existências e características singulares. A intervenção teve a preocupação de manter a tipologia de Quinta, de casa, e, apesar da sua função atual, não se cedeu à tentação de transformá-la numa galeria acética, “limpa”, austera e moderna. As salas expositivas permanecem com os seus elementos arquitectónicos/decorativos originais, que sendo, por vezes, um constrangimento, também constitui um desafio a quem desenvolve projectos expositivos neste espaço.
Esta, que foi a primeira Casa da Cultura da Madeira, teve como primeiros responsáveis os professores Batista Fernandes e António Rodrigues, pessoas formadas nas artes, que empreenderam uma séria e criteriosa programação cultural para esta novíssima instituição.
O desenvolvimento de uma programação correcta e exigente fez com que a casa atraísse muitos fruidores e o espaço passou a ser um lugar de referência cultural na Madeira.
Na viragem do século, e até 2015, este nobre espaço teve como responsável o Dr. Nélio Nunes.
Hoje este espaço tem uma equipa alargada que desenvolve vários projectos, desde as artes visuais, passando pela música, pela literatura, pela dança, pelo cinema e até por actividades de sensibilização ambiental.
Ao logo dos seus 30 anos, a Casa da Cultura colecionou uma série de obras em depósito que agora, numa seleção do seu espólio, voltam a ser expostas, assim como alguns catálogos que acompanharam as diversas exposições.
O que aqui se quis exibir é uma pequena amostra do seu espólio de artes plásticas que, de alguma forma, seja um corolário do seu já maduro percurso na divulgação dos artistas locais, regionais, nacionais e até internacionais.
Fazemos votos para que a Casa da Cultura | Quinta do Revoredo continue criteriosamente na senda da divulgação das diferentes formas de expressão artística, contribuindo para a formação de novos públicos, mais informados e exigentes. Afinal de contas, a cultura é o que nos define e o que nos salva!
Texto de Emanuel Gaspar