Exposição "AQVQ e ÁGUA, sobre Aquedutos"
“AQVQ e ÁGUA, Sobre Aquedutos” é o tema da exposição do museólogo Pedro Inácio, dedicada aos antigos sistemas de abastecimento de água (gravíticos), que estará no Museu Etnográfico da Madeira, a partir de 26 de setembro.
A mostra fotográfica apresenta 30 aquedutos, localizados na Península Ibérica, na sua maioria construídos entre os séculos XVI e XIX, entre outros que remontam ao Imperio Romano.A divulgação dos aquedutos históricos assume o maior interesse para o seu conhecimento, constituindo um caso de estudo no domínio do Património Cultural da Água.
Esta exposição, promovida pela Secretaria Regional do Turismo e da Cultura, pretende associar-se ao Dia Nacional da Água e à candidatura das Levadas, existentes na ilha da Madeira, a Património Mundial da UNESCO.
A água, recurso natural essencial, constituiu, desde o início do povoamento, um bem precioso, quer para o consumo e irrigação dos terrenos, quer como força motriz, na transformação de importantes recursos agrícolas e florestais, e, mais tarde, na produção de energia elétrica.
Na ilha da Madeira, a História da construção dos canais de irrigação, as levadas, extraordinária obra de engenharia hidráulica, é indissociável da História do seu povoamento.
Aproveitando a energia hídrica, e as condições orográficas da ilha, com acentuados declives, foi possível utilizar soluções tecnológicas variadas, associadas à transformação dos produtos, das quais existem alguns testemunhos. É o caso dos engenhos de serração de madeiras, dos moinhos de cereais e dos engenhos de moer cana-de-açúcar, constituindo o antigo edifício do Museu Etnográfico da Madeira e as estruturas e equipamentos tecnológicos ali recuperados, testemunhos desta última realidade.
O antigo edifício do museu, um solar do século XVII é, no século XIX, convertido numa unidade industrial – o “Antigo Engenho de Aguardente da Ribeira Brava”.
Este valioso edifício foi recuperado pelo Governo Regional da Madeira, para ali instalar-se esta unidade museológica, salvaguardando-se e valorizando-se este património cultural edificado. Acresce ainda o facto, muito importante, de que a atividade agroindustrial da cana sacarina deixou na ilha da Madeira muitos testemunhos preciosos, constituindo este um exemplar único do património industrial europeu pela sua duplicidade tecnológica, já que ali funcionaram um engenho de moagem de cana-de-açúcar e dois moinhos de cereais.
A recuperação e "musealização" deste edifício, que marca a fisionomia das localidade e traduz a história do labor dos seus habitantes, permitiu salvaguardar um património que, de outro modo, não escaparia à destruição e ao esquecimento.
Felizmente, assiste-se, cada vez mais, a uma crescente preocupação com a identificação, preservação e divulgação deste tipo de património tecnológico e industrial, tão pertinente, quando se pensa em turismo cultural.
O magnífico estudo dos aquedutos, da autoria de Pedro Inácio, traduzido no seu livro “Património Cultural da Água. Roteiro dos Aquedutos” e que é apresentado, de forma parcial, nesta exposição temporária, é disso excelente exemplo.
Constituindo o antigo edifício do Museu Etnográfico da Madeira, um testemunho do património tecnológico, ligado à produção industrial com recurso à energia hídrica, e estando sediado numa ilha, onde este recurso natural teve um papel fundamental, tendo sido edificados, pelo povo, canais de irrigação, cujos testemunhos, são, atualmente, alvo de uma candidatura a Património Mundial, e, existindo alguns aquedutos na nossa ilha, nomeadamente no concelho onde está sediado o museu, fazia todo o sentido apresentarmos ao público esta exposição.
Biografia
Pedro Inácio, natural de Lisboa, é Licenciado em Ciências Históricas pela Universidade Lusíada de Lisboa, Mestre em Museologia e Património pela Universidade Nova de Lisboa e possui um Pós-graduação em Direito de Património Cultural pela Faculdade de Direito de Lisboa. É Vice-Presidente da Direção da APOM-Associação Portuguesa de Museologia e Vice-Presidente da Assembleia Geral da APAI-Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial.
Museólogo e investigador na área do Património Cultural da Água, dirigiu o Museu da Água da EPAL (Prémio do Museu do Conselho da Europa-1990), entre 1988/2000 e 2008/2014 e foi coordenador do Arquivo Histórico da EPAL, entre 2014 e 2015.
Realizou várias conferências sobre museologia e património cultural em Portugal e no estrangeiro. É autor e coautor de vários livros ligados ao Património da Água e Natureza.