Exposição coletiva "A água flui, as pedras levam..."
No próximo dia 20 de fevereiro, será inaugurada, pelas 18.00h, no Museu de Eletricidade “Casa da Luz” a exposição coletiva intitulada "A água flui, as pedras levam..." patente ao público no espaço de exposições temporárias até 20 de março de 2025.
A inauguração será precedida de uma conferência subordinada ao tema “Aluviões na ilha da Madeira: aprender com o passado, compreender o presente e preparar o futuro” proferida pelo conceituado João Baptista Pereira Silva (PhD, Investigador, UI GEOBIOTEC, FCT, Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro) a decorrer no auditório do Museu de Electricidade Casa da Luz pelas 16.30h.
Sobre a Exposição
Esta exposição coletiva decorre do projeto desenvolvido pelo Filipe Afonso, aluno do Mestrado em Design da Imagem na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), sob a orientação da Prof.ª Susana Barreto, sendo composta por 135 fotografias de oito fotógrafos madeirenses, Duarte Gomes, Gregório Cunha, Hélder Santos, Joana Sousa, João Homem de Gouveia, Mário Pereira, Rui Silva e Octávio Passos. Inclui ainda imagens facultadas pelo RG3 e do próprio Filipe. Conta igualmente com os trabalhos dos alunos de 12º ano de desenho A da Escola da APEL, sob a coordenação pedagógica do Prof. Filipe António. O desafio lançado pelo Filipe Afonso foi no sentido dos alunos selecionarem um dos fotógrafos representados na Exposição e com base no testemunho de um membro do agregado familiar, procederem à criação através de interpretação/reinterpretação do que foi a aluvião, através da pintura, do desenho, colagem e escultura resultando na apresentação de 13 trabalhos bastante expressivos.
O projeto de mestrado, centrado na Aluvião da Madeira de 20 de fevereiro de 2010 culmina, deste modo, com esta apresentação após um longo trabalho de investigação sobre o tema.
Um dos objetivos do projeto foi o de criar um percurso expositivo, dando continuidade à primeira exposição apresentada na Casa da Cultura de Câmara de Lobos, denominada "Sen-tido" em 2023.
No início, o elemento desencadeador do projeto foi a experiência pessoal do estudante com o desastre, como uma forma de conexão direta e emocional com a tragédia do Aluvião da Madeira de 2010.
Esta circunstância possibilitou uma abordagem mais íntima e direta do impacto do evento na vida do estudante.
Neste segundo momento, com esta exposição, o projeto amplia essa abordagem e foca no legado da memória coletiva, homenageando não apenas as vítimas do desastre, mas também os seus familiares, que continuam a carregar consigo as marcas da perda.
O propósito do Filipe Afonso é sobretudo criar um espaço de reflexão e homenagem, onde as memórias e os testemunhos se tornem centrais, permitindo que o público possa interagir com as experiências passadas e a resiliência dos afetados, mantendo viva a memória do que aconteceu.
Esta transição de uma análise pessoal para uma mais coletiva e memorial é uma poderosa forma de consideração tanto a nível individual como no que se refere ao impacto coletivo do desastre.