Faial celebra 475 Anos de História e Tradição
No dia 20 de fevereiro de 2025, esta freguesia do concelho de Santana celebra com orgulho os 475 anos. “Uma história rica, feita de tradição, cultura e, acima de tudo, das pessoas que fazem desta terra um lugar especial” indica a entidade.
Sendo “a principal porta de entrada do nosso concelho, desempenhando um papel estrategicamente importante na afirmação de Santana como um dos mais belos municípios da Madeira. O Faial empresta a Santana características únicas, infraestruturas e potencialidades que nos permitem acreditar no futuro promissor da freguesia” reforça o Município de Santana.
A sua História
Quando, em 20 de fevereiro de 1550, no reinado de D João III, foi a criada aquilo a que hoje se chama Freguesia do Faial, já um importante povoado existia, bem identificado, segundo relatos de então. Denominada de “Nossa Senhora do Faial”, a comunidade, pioneira no povoamento da costa norte, reconhecia, na festividade do dia 08 de setembro, de cada ano, como sua vivência maior, o seu momento identitário.
À conquista da sua autonomia territorial, juntaram-se lutas importantes, que acompanhariam, para sempre, a sua vida. O desbravamento do território, depois de ocupadas as planuras mais perto da orla costeira, foi trabalho secular, de esforço bravio. Da implantação das habitações e da agricultura e pecuária, numa orografia tão difícil, resultou a dispersão demográfica que hoje encontramos, e os socalcos que caracterizam a paisagem.
Foi de respeito mútuo, natureza e habitantes, que se construiu a paisagem do Faial de hoje. Dessa harmonização, nasceram as belezas naturais que hoje pode visitar. A orografia, dura, mas bela, a harmoniosa distribuição das habitações e a implantação dos socalcos, oferecem quadros de beleza ímpar, de cortar a respiração.
Das suas gentes, moldadas neste ambiente muito próprio, o Faial soube dar mais-valia ao mundo. Foi a diáspora, espalhada por todo o planeta. Foram políticos, escritores, poetas e poetizas – João Fernandes Vieira, Dr. João Catanho de Meneses, Albino Rodrigues de Sousa, Dr. João Albino Rodrigues de Sousa, Joana de Castelo Branco, Pe. João de Freitas Ferreira, entre tantos outros. Foi a “Banda Filarmónica União Recreio Faialense”, que, num ato de pioneirismo, trouxe a música filarmónica para a costa norte.
Comunidade hospitaleira, soube bem receber quem chegou mais tarde. Tantos que vieram viver, integraram-se, e tornaram-se mais-valia para a comunidade. Só neste último século, poderiam referir-se o padre César da Fonte, que ofereceu a sua liberdade e o seu ministério pela defesa das condições de vida das populações, ou o padre António Ramos, que no seu espírito congregador e, simultaneamente, reivindicativo, promoveu, de forma intensa, a comunidade faialense.
“Do esforço centenário, resulta o Faial que hoje somos. Uma comunidade identificada, em torno das suas instituições, usos e tradições. Mas que reclama por melhores condições de vida, que façam jus à sua história. As estruturas de base, os caminhos e acessos, o correto aproveitamento daquilo que o território nos oferece, fazem parte do rol de necessidades, que identificamos e por cuja resolução, reclamamos. Seguramente, estamos gratos pelo Faial que o nosso passado, comum, nos ofereceu. E sentimos, todos, a responsabilidade do legado que deixaremos aos nossos descendentes. Reivindicamos melhores condições de habitabilidade do nosso território, que permitam, aos nossos e aos forasteiros que nos procurarem, continuar nos locais que sempre foram habitados. E carregamos o compromisso de cada um, fazer a sua parte, por deixar um melhor território e uma mais enriquecida comunidade, aos vindouros” reforça o Presidente da Junta de Freguesia, Manuel Luís Macedo de Andrade.