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"aCorde" - Festival Internacional de Cordofones Tradicionais

01-02-2025
Eventos
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A Madeira celebra a herança dos cordofones em eventos educativos, musicais e culturais.

O Festival Internacional de Cordofones Tradicionais aCORDE 2025 começa no dia 3 de fevereiro, com uma programação que une educação, música e tradições.

O evento acontece em diversos espaços icónicos da Madeira, como a Assembleia Legislativa da Madeira (ALRAM), o Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA), o Teatro Municipal Baltazar Dias, o Centro Cultural e de Investigação do Funchal (CCIF), Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM) e Conservatório – Escola das Artes da Madeira Eng.º Luiz Peter Clode.

Abertura Oficial (3 de fevereiro)

A abertura oficial será às 17h30 na ALRAM e contará com a atuação do grupo da Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva. Durante a cerimónia, serão entregues prémios que destacam talentos na música tradicional, como o Prémio Carlos Santos, Prémio Cândido Drummond de Vasconcelos e o Prémio Jovem Revelação.

A celebração inclui ainda a inauguração de uma Exposição de Artes Plásticas inspirada nos Cordofones Tradicionais Madeirenses, seguida de um recital pelo vencedor do último concurso de cordofones.

Atividades Educativas e Roteiros

Os participantes podem explorar oficinas interativas e apresentações em locais como o Universo de Memórias João Carlos Abreu e Associação Musical e Cultural Xarabanda, conduzidas pelos Professores Catarina Gomes e Daniel de Jesus.

As visitas guiadas à ALRAM, Estação do Monte – Centro Interpretativo do Caminho de Ferro bem como ao Museu de História Natural do Funchal e exposições sobre a história dos cordofones complementam toda a experiência.

Programação Musical

Apresentações musicais em vídeo de músicos e grupos de cordofones regionais, nacionais e internacionais ocorrerão diariamente, reforçando o alcance internacional do festival.

O Destaque Internacional vai para o Professor Doutor James Robert Tranquada (EUA), especialista em cordofones, que apresentará uma palestra no dia 6 de fevereiro no Conservatório – Escola das Artes da Madeira Eng. Luiz Peter Clode.

Programação Completa e Conexão Cultural

Momentos Musicais

Os concertos são um dos grandes atrativos do festival. No dia 4 de fevereiro, a Grande Orquestra de Cordofones constituída pelo grupo Si Que Brade, EB1/PE do Covão e Vargem, EB1/PE da Lourencinha, EB1/PE/C de Santa Cruz e EBS de Santa Cruz apresenta-se no Centro Cultural e de Investigação do Funchal para o concerto do Dia Regional dos Cordofones Tradicionais Madeirenses. Sob a direção de professores renomados, os músicos destacam a riqueza dos instrumentos típicos da região.

Outro destaque é o concerto dos Tangedores do Atlântico, no dia 5 de fevereiro, às 12h00 no foyer do Teatro Municipal Baltazar Dias.

Tradição e Inovação

Além dos espetáculos, o festival promove oficinas práticas para a construção e aprendizagem dos instrumentos. No dia 7 de fevereiro, o professor Roberto Moniz realiza uma oficina na ALRAM, seguida de um concerto comentado pelo especial convidado Derque Martin Cruz (Gran Canária).

Competição e Celebração (8 de fevereiro)

O encerramento do festival será marcado pelo IV Concurso de Cordofones Tradicionais Madeirenses, às 11h00, e pelo concerto final no CCIF às 16h30, com participações como o grupo D’Repente em fusão com dois estabelecimentos de educação e ensino da RAM nomeadamente EB1/PE dos Ilhéus e EB1/PE/C da Ponta de Sol.

Cultura e Degustação

Para os amantes da cultura local, o dia 6 de fevereiro oferece o concerto Notas da Tradição com o Grupo Machetinho e Grupo das Romarias Antigas do Rochão seguido de uma degustação de vinhos Madeira, combinando música e gastronomia numa tarde rica em tradição e valorização de património.

Mais informações sobre o festival podem ser obtidas nas redes sociais e canais oficiais da organização.

Biografias

James Robert Tranquada

O historiador de ukulele Jim Tranquada é coautor (com o falecido John King) de The ‘Ukulele: A History (University of Hawai’i Press, 2012), o primeiro estudo académico sobre o icónico instrumento havaiano.

Natural de Los Angeles, Tranquada é licenciado pela Universidade de Stanford em História. Trabalhou como jornalista em Los Angeles e em comunicação e marketing na UCLA e no Occidental College.

É co-presidente do Comité Consultivo dos Arquivos de Música Havaiiana. O seu bisavô Augusto Dias emigrou da Madeira em 1879 e foi um dos três primeiros fabricantes de 'ukulele em Honolulu na década de 1880.

Derque Martín Cruz

Derque Martín Cruz, nascido em Santa María de Guía em 1988, iniciou os seus estudos em timple aos 8 anos e em guitarra clássica aos 11. Formou-se em guitarra clássica pelo Conservatório Superior das Canárias, complementando a formação com cursos internacionais.

Como timplista, destacou-se em concursos como o “Fundación Blas Sánchez” e o Concurso Internacional de Guitarra Clássica e Timple de Santa María de Guía, recebendo vários prémios. Foi orientado por músicos renomados como Domingo Rodríguez “El Colorao” e José Antonio Ramos. Atualmente, é professor de timple no Conservatório de Música das Canárias, em Las Palmas de Gran Canaria.

Associação Xarabanda

A Associação Musical e Cultural Xarabanda surgiu em 1981, inicialmente como o grupo "Algozes", inspirado por figuras como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, com o objetivo de resgatar raízes, reforçar a identidade regional e promover os cantares e tocares tradicionais madeirenses. Em 1990, tornou-se uma associação formal, focada na investigação, recolha, ensino e divulgação da música tradicional madeirense, além de promover a sensibilização para a tradição regional.

A Xarabanda dedica-se à preservação do género musical Charamba e à promoção dos cordofones regionais. Atualmente, com 44 anos de atividade, a associação realiza edições de registos, organiza festivais e espetáculos, e faz recolhas regulares de música tradicional pela Região, cumprindo o objetivo de sistematizar, editar e divulgar o património cultural material e imaterial da Madeira.

Grupo Machetinho

O Machetinho é um grupo que promove os cordofones tradicionais madeirenses através da apresentação de vários estilos musicais, para além da música tradicional madeirense.

Este grupo foi criado na Associação Grupo Cultural Flores de Maio em 2005 e veio dar continuidade à prática de instrumentos de corda deixada como herança pela então extinta Tuna Flores de Maio. O grupo apresenta jovens executantes de braguinha, rajão, viola de arame e baixo. É o grupo anfitrião do espetáculo "Machetices" que tem lugar todos os anos no mês de julho no Porto da Cruz. Desde 2011 tem como Diretor Artístico João Caldeira.

Pedro Gonçalves

Natural do Funchal, é mestre em Ensino da Educação Musical no Ensino Básico pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu o curso com distinção.

Licenciou-se em Música na Comunidade pelo Instituto Politécnico de Lisboa. Com um interesse especial pela música tradicional portuguesa e madeirense, Pedro Gonçalves dedica-se à prática e ensino de cordofones tradicionais da Madeira, como o braguinha, o rajão e a viola de arame. É ainda autor de livros de partituras como “As Músicas do Meu Braguinha - 20 peças progressivas para braguinha ou machete ou D'Leiname.”

D’Repente

No início, quatro amigos juntaram-se com o objetivo de dar uma nova roupagem à música tradicional madeirense e explorar novos géneros utilizando os cordofones tradicionais madeirenses. Tendo surgido no verão de 2016, os D’Repente contam com atuações em festas culturais e gastronómicas, arraiais, hotéis, salas de espetáculos, museus, Assembleia Regional e eventos oficiais.

Publicaram o seu primeiro trabalho em formato videoclip em novembro de 2019 denominado “O Bailinho D’Repente”. A partir de 2021 surgem com nova formação: braguinha (Lino Gonçalves), rajão (João Caldeira), viola de arame (Renato Spínola), ukulele baixo (Ricardo Correia) e bateria (Pedro Temtem). No seu alinhamento constam os originais: “Bailinho D’Repente”, “Água da Levada”, “Verão na Babujinha”, “A Fragnete”, “O Milhe”, “Rajank”, “A Madeira vai Florir”, “Amanhã é Natal”, “Tenho de ir Trabalhar”, e outros. 

Tangedores do Atlântico

O grupo musical Tangedores do Atlântico junta três dos principais tocadores de instrumentos tradicionais da ilha da Madeira: Paulo Esteireiro (Braguinha), Roberto Moritz (Voz, Braguinha, Rajão e Viola) e Roberto Moniz (Voz, Viola de Arame, Viola e Rajão).

O repertório do grupo é inspirado na tradição musical rural e urbana da Madeira, onde os instrumentos de cordas da tradição madeirense são os protagonistas. Além do repertório madeirense, o grupo toca obras musicais que cruzam influências de diferentes países atlânticos, com especial destaque para Portugal, Cabo Verde, Argentina, EUA e Brasil, sempre com um acento musical madeirense.

Tendo em conta que o braguinha tem um vasto repertório do século XIX, o grupo inclui no seu repertório obras históricas deste instrumento, mas em versões adaptadas aos tempos atuais.

Cantigas de Cá de Dentro

“Cantigas de Cá de Dentro” é um projeto poético musical criado no seio da Associação Xarabanda, de índole pedagógico, sem caráter de espetáculo, com o objetivo primordial de divulgar, nas escolas e outras instituições culturais da RAM, a sistematização e classificação da Música Tradicional Madeirense, resultado de um trabalho de recolha realizado por esta associação, ao longo de quatro décadas. O projeto é composto pelos músicos Rui Camacho, Helena Camacho, Tozé Cardoso, Lídia Araújo e João Viveiros.

Si Que Brade

O Si Que Brade Grupo de Música e Instrumentos Tradicionais do Conservatório – Escola das Artes da Madeira, inicialmente chamado “Tuna de Instrumentos de Corda Tradicionais Madeirenses”, foi constituído no ano letivo de 1987/88, com o objetivo de estimular os jovens das escolas da região à aprendizagem dos instrumentos tradicionais madeirenses. Atualmente, o grupo é composto por 14 elementos com idades compreendidas entre os 12 e 29 anos. O seu repertório incide predominantemente na área da música de raíz tradicional/popular madeirense, embora apresente temas populares nacionais e internacionais, assim como música erudita. Pretendendo dar a conhecer as raízes culturais do Cancioneiro Madeirense e divulgar os cordofones tradicionais da região, o grupo tem realizado vários concertos pela Madeira e continente português. A direção artística do Si Que Brade é da responsabilidade de Roberto Moritz.

Grupo das Romarias Antigas do Rochão

O grupo das Romarias Antigas do Rochão – Camacha foi fundado oficialmente em 24 de setembro de 1945, embora já realizasse apresentações desde a década de 1930. Inicialmente, os membros se reuniam na casa de Inês, na Nogueira, para dançar e cantar tradições locais, como o brinco d’oito e a viuvinha. O grupo teve várias apresentações importantes ao longo dos anos, como para o general Carmona em 1938 e para os embaixadores de Inglaterra em 1939. A data de sua fundação coincide com uma apresentação no noivado do casal Andrade, em 1945.

Em 1946, participou na Feira da Alegria e, em 1949, fez uma apresentação no Teatro Municipal, gravando para a Emissora Nacional. Este evento foi realizado sob o nome Grupo de Folclore da Casa do Povo da Camacha e resultou no primeiro convite para atuar em Espanha. O grupo foi orientado por António Martins Júnior e recebeu elogios de figuras como o historiador Carlos Santos. Ao longo dos anos, o grupo fez vários intercâmbios folclóricos e, em 1998, produziu um VHS e, em 2014, lançou seu primeiro CD, intitulado Dos Bailes e Canções ao Espírito Santo.

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